Em 2020, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) contratou a Cluster Consulting para identificar e analisar a demanda internacional por cacau amazônico sustentável e livre de desmatamento do Equador. 

Por meio do PROAmazonía, programa dos Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura e Pecuária do Equador, implementado com o apoio do PNUD, o objetivo era melhorar a competitividade dos pequenos produtores de cacau na Amazônia equatoriana, preservando a Amazônia. Por esse motivo, o projeto foi executado entre janeiro e setembro de 2020.

O projeto tem alto potencial. O Equador é o terceiro maior exportador de cacau do mundo e é conhecido mundialmente pela qualidade de seu cacau de aroma fino. No entanto, a maior parte do cacau que exporta vem das regiões costeiras, e há uma oportunidade de promover o cacau de pequenos produtores amazônicos.

Por este motivo, o projeto consistiu em uma investigação do setor produtivo e da demanda no Equador, na identificação de potenciais mercados internacionais para o cacau amazônico, na compreensão dos fatores de decisão de compra de cacau nos países priorizados e na definição de um estratégia comum para produtores de cacau na Amazônia equatoriana, acompanhada de recomendações de melhorias para o setor e realização de apresentações para compartilhar os resultados.

Na Amazônia existem cerca de 15.000 produtores que produzem cerca de 20.000 toneladas de cacau. São vendidos em parte a importadores estrangeiros, exportadores e indústrias nacionais; entretanto, a maioria vai para intermediários informais que pagam preços baixos. Por isso, o principal desafio dos produtores é encontrar mercados com melhores preços que, por sua vez, permitam o cuidado da Amazônia.

Para tanto, identificamos que existem quatro segmentos no mercado de cacau, cada um com diferentes dinâmicas, estratégias e fatores de sucesso. São commodities, commodities certificadas, cacau de aroma fino e cacau premium. Atualmente, as tendências de sustentabilidade, a demanda por cacau fino e de melhor qualidade e a exigência de certificações estão modificando o mercado e gerando novas oportunidades em segmentos não commodities, que apresentam preços mais atrativos.

Depois de visitar as principais associações de cacau da Amazônia e entrevistar 25 empresas internacionais de 6 países e 15 do Equador pertencentes aos quatro segmentos, identificamos que a oportunidade para o cacau amazônico estava principalmente nos compradores de cacau fino e premium, que desejam pagar preços diferenciados pela qualidade, pelo impacto socioambiental positivo e por levar as experiências desses produtores aos consumidores finais.

Porém, devido à realidade produtiva da Amazônia equatoriana, ainda não é possível direcionar toda a produção para esses segmentos. Por este motivo, foi recomendado continuar a fortalecer as associações para melhorar a qualidade e a produtividade, trabalhar no desenvolvimento de perfis aromáticos específicos e melhorar os sistemas agroflorestais e de produção orgânica. Desta forma, estabeleceu-se a meta de que até 2030 as 10 associações apoiadas pelo PROAmazonía comercializassem 12.000 toneladas de cacau, metade como cacau fino e premium e a outra metade como commodity certificada. Dessa forma, essas associações teriam forte impacto na região, passando da comercialização de 6% a 35% do total do cacau na Amazônia equatoriana.

Os resultados foram apresentados em três datas distintas às associações de produtores, aos quadros técnicos dos ministérios e às instituições nacionais e internacionais da indústria, que validaram e apoiaram com entusiasmo as recomendações. Os resultados também foram publicados em um artigo no site da World Cacao Foundation.